Romance

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Posted On April 9, 2017 at 7:52 am by / Comments Off on Download E-books Quarto Livro de Crónicas PDF

By António Lobo Antunes

Este 4to livro de crónicas de António Lobo Antunes é uma selecção de seventy nine crónicas publicadas na revista Visão. Nestes pequenos textos, António Lobo Antunes evoca lugares, personagens, retratos do quotidiano e memórias de infância. Não morreste na cama mas morreste entre lençóis de steel horrivelmente amachucados na auto-estrada de Cascais para Lisboa e a gente ali, diante do teu caixão, tão tristes. Começa assim a quarta crónica deste livro e é um bom exemplo da intensidade dramática de alguns textos que sendo muito mais acessíveis ao público do que os seus romances não descuram uma specialty componente literária. E com uma narrativa que nos surpreende sempre pela genialidade como junta as palavras para formar cada frase, António Lobo Antunes leva-nos da tristeza à alegria e arranca-nos sorrisos pela forma como se ri de si próprio e das pequenas fraquezas de cada um de nós e que "apanha" e retrata como ninguém.

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Lowcountry Summer (A Plantation Sequel)

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Sei bem que chegará um pace em que apenas os livros hão-de contar porque ecu, enquanto pessoa, não tenho importância alguma, às vezes nem para mim mesmo. Vou-me olhando de forma cada vez mais distanciada e sem indulgência. A impressão, melhor: a certeza de haver falhado. O quê? Não estou deprimido, não me sobra pace para depressões, sou apenas um homem, diante do seu espelho inside, que não gosta do que vê. O que poderia ter feito? O que deveria ter feito? Esta permanente tortura que a gente disfarça. A ideia recorrente que aquilo, quer dizer que a única coisa que a vida nos dá é um certo conhecimento dela que chega tarde demais, sempre tarde demais. Grandes cães pretos que se entredevoram dentro de mim. Estas crónicas têm-se twister um itinerário paralelo aos livros. Do ponto de vista da Arte recebi muito mais do que poderia ter desejado e no entanto trago as mãos vazias. Agora dei duas entrevistas, coisa que nunca deveria ter feito. Não ponho em causa a competência e a honestidade dos jornalistas mas não me revejo em nada daquilo, não sou assim e não sou capaz de exprimir aquilo que sou. Os livros falam muito melhor que ecu. O que aparece é um estranho e até as fotografias são mentiras porque não me pareço comigo. Acho-me cansado desses jogos. Apetece-me desaparecer atrás das palavras, ser de facto o ninguém que sou: um nome apenas, numa capa. E deixar o resto para mim, dado que não tem nenhuma importância colectiva. Agora é manhã e está sol. Nenhum ruído à minha volta. Se pudesse passar a vida a limpo, como diz Drummond, corrigia quase tudo. Que pena não podermos emendar os dias, o que fizemos, o que somos. Um demónio qualquer distorceu-me tudo ou fui european que distorci? Acabando esta crónica retomo a correcção do livro na esperança de, ao emendá-lo, emendar-me. Fui sempre honesto a escrever. E nas outras coisas? Estarei a ser pretensioso ao julgar que sim? Agora é manhã e está sol. Se european fosse Deus parava o sol sobre Lisboa, escreveu Fernando Assis Pacheco. Tão linda a minha cidade com sol, tão lindo o meu país com sol. Vem aí o outono, o inverno, o cinzento dos dias que desbota para nós. Não me apetece nada o frio, a chuva. Se ecu fosse Deus parava o sol sobre Lisboa. Sinto-o na rua, mesmo com estes vidros baços. – Está solzinho, que horas são? perguntava o cego. Diminutivos de que tanto gosto. Maravilhosa língua tão plástica, tão dúctil. Que sorte escrever em português. Fernão Lopes: esta minguada maneira de meu escrever. Esta minguada maneira de todos nós escrevermos. Nem há vento. Gatos e pombos. Fernão Lopes ou Fernão Mendes Pinto? Acabar a crónica, voltar ao livro na minha minguada maneira. Oxalá o sol proceed parado sobre Lisboa, parado sobre mim e european embalsamado nele. Vestido dele. Afogado nele. Se european fosse Deus. Se european fosse Deus period uma carga de trabalhos, não lhe invejo a sorte. Ontem jantar em casa da minha mãe, com os meus irmãos. Valha-me isso. Umas noites saio dali mais em paz, outras numa guerra imensa comigo, levando todo o passado às costas, que alegra e dói. Nada mudou e tudo mudou: como ecu gostava de ser pragmático em lugar de viver numa nuvem cujos limites, aliás, distingo mal.

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